O burnout não aparece de uma hora para outra. Em geral, ele vai se construindo aos poucos, à medida que o estresse se torna constante e a pessoa não consegue encontrar espaço suficiente para descansar, se recuperar e lidar com o que está acontecendo.

Neste artigo, vou explicar o que é o burnout, quais sinais podem aparecer no corpo, nas emoções e no comportamento, e de que maneira a psicoterapia pode ajudar durante esse processo.

O que é burnout?

O burnout é um fenômeno ocupacional relacionado ao estresse crônico no ambiente de trabalho que não foi administrado de forma adequada. Ele é reconhecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e costuma envolver uma sensação persistente de esgotamento, distanciamento em relação ao trabalho e dificuldade para manter o desempenho habitual.

Não se trata simplesmente de estar cansado depois de uma semana difícil. Muitas vezes, uma noite de sono ou um fim de semana de descanso já não são suficientes para recuperar a energia. Aos poucos, o esgotamento pode afetar a disposição, a concentração, o humor e até a forma como a pessoa se enxerga dentro e fora do trabalho.

Quais são os sintomas de burnout?

Os sinais podem aparecer de diferentes maneiras. O mais importante é observar se eles têm se repetido e se estão interferindo na sua rotina.

Sintomas físicos

  • Cansaço frequente, mesmo após dormir;
  • Dores de cabeça e tensão muscular;
  • Alterações no sono, como insônia ou sono excessivo;
  • Desconfortos gastrointestinais e sensação de que a saúde ficou mais fragilizada.

Sintomas emocionais

  • Sensação constante de esgotamento;
  • Irritabilidade e mudanças de humor;
  • Sentimento de incapacidade ou de que nada do que você faz é suficiente;
  • Desânimo, apatia e dificuldade de se envolver emocionalmente com as pessoas e as atividades.

Sintomas comportamentais

  • Dificuldade para se concentrar e queda no rendimento;
  • Vontade de se afastar de colegas, amigos e familiares;
  • Visão cada vez mais negativa ou indiferente em relação ao trabalho;
  • Procrastinação e dificuldade para começar ou concluir tarefas.

Se você se identificou com vários desses sinais, não tente chegar a uma conclusão sozinho. Uma lista encontrada na internet não substitui uma avaliação profissional. Um psicólogo ou outro profissional de saúde habilitado poderá compreender melhor o que você está vivendo e indicar os cuidados mais adequados.

Burnout e depressão são a mesma coisa?

Essa é uma dúvida bastante comum. Burnout e depressão podem ter alguns sinais parecidos, como cansaço, desânimo e perda de motivação, mas não são a mesma coisa.

O burnout está relacionado principalmente às condições e às experiências vividas no trabalho. Já a depressão é um transtorno que pode afetar diferentes áreas da vida, independentemente de a pessoa estar ou não no ambiente profissional.

As duas condições também podem aparecer ao mesmo tempo. Por isso, é importante não se autodiagnosticar nem tratar o problema como se fosse apenas uma fase de cansaço. Entender a origem dos sintomas, com ajuda profissional, faz diferença na escolha do tratamento.

Burnout tem tratamento? Como a terapia pode ajudar

O burnout pode ser tratado, e a psicoterapia costuma ser uma parte importante desse cuidado. O processo terapêutico pode ajudar você a:

  • Compreender como o esgotamento se desenvolveu, inclusive a influência da autoexigência e da dificuldade de estabelecer limites;
  • Encontrar maneiras mais possíveis de lidar com o estresse do dia a dia;
  • Reavaliar a relação com o trabalho e com o descanso;
  • Fortalecer a autoestima e aprender a dizer “não” quando isso for necessário;
  • Perceber quais mudanças podem contribuir para uma rotina mais saudável.

Na Abordagem Centrada na Pessoa, que orienta o meu trabalho como psicólogo, a terapia não oferece respostas prontas nem impõe um caminho único. O objetivo é construir um espaço de escuta e acolhimento para que você consiga olhar para o que está vivendo com mais clareza e encontre, no seu próprio ritmo, caminhos que façam sentido para a sua vida.

Quando procurar um psicólogo?

Você não precisa esperar chegar ao limite para buscar ajuda. Se o cansaço, a irritação, a falta de sentido ou a dificuldade de se desligar do trabalho começaram a ocupar espaço demais na sua vida, já existe um motivo importante para conversar com um profissional.

Buscar apoio no início pode ajudar a compreender o que está acontecendo e a pensar em mudanças antes que o esgotamento se intensifique. Se houver sintomas muito intensos ou pensamentos de se machucar, procure atendimento de urgência imediatamente.

Dê o primeiro passo para cuidar de você

Se você se reconheceu neste artigo, saiba que não precisa lidar com tudo sozinho. Sou Alan Cabral, psicólogo (CRP 06/169794), e realizo atendimentos online para todo o Brasil, com uma escuta acolhedora, ética e sem julgamentos.